O dia 13 de setembro é dedicado à cachaça, uma das bebidas mais associadas à cultura brasileira. A escolha da data remete a um episódio do período colonial: em 1661, uma ordem régia autorizou a produção e a comercialização da bebida no Brasil, depois de anos de restrições impostas pela Coroa portuguesa.
A história por trás da data passa pela chamada Revolta da Cachaça, movimento ocorrido no Rio de Janeiro entre 1660 e 1661. Naquele período, produtores de aguardente enfrentavam medidas da Coroa que restringiam o comércio do destilado e favoreciam bebidas portuguesas, como a bagaceira.
Uma bebida no centro de um conflito colonial
A cachaça já era produzida no Brasil décadas antes da revolta. A Embrapa aponta que as primeiras destilações ocorreram provavelmente entre 1516 e 1532, em algum engenho da costa brasileira, embora não exista consenso sobre o local exato nem sobre o momento preciso em que a bebida surgiu.
Com o crescimento da produção e do consumo, a bebida passou a incomodar interesses comerciais portugueses. Em 1649, uma medida régia restringiu a produção e a circulação da aguardente no Brasil. Anos depois, novas proibições sobre o comércio ajudaram a aumentar a tensão entre autoridades e produtores.
No Rio de Janeiro, a insatisfação ganhou força entre produtores e proprietários ligados à fabricação da bebida. A revolta começou em 1660 e, ao longo dos meses seguintes, os rebelados chegaram a assumir o controle do governo local.
A reação das autoridades veio em abril de 1661. O governador Salvador Correia de Sá e Benevides retomou o poder e reprimiu o movimento. Jerônimo Barbalho Bezerra, um dos líderes da revolta, foi condenado à morte e executado, com a cabeça exposta no pelourinho como demonstração de autoridade.
13 de setembro de 1661
Poucos meses depois, a história tomou outro rumo. Em 13 de setembro de 1661, uma ordem régia autorizou a produção e a comercialização da cachaça no Brasil. É esse episódio que está na origem da escolha do 13 de setembro como data de celebração da bebida.
A data passou a ser difundida como Dia Nacional da Cachaça. Em 2009, o deputado federal Valdir Colatto apresentou na Câmara o Projeto de Lei nº 5.428, propondo que o dia 13 de setembro fosse oficialmente instituído como a data comemorativa. A proposta foi aprovada pela Comissão de Educação e Cultura em 2010 e, posteriormente, avançou na Câmara.
O projeto chegou ao Senado como PLC 173/2017, mas acabou arquivado em 21 de dezembro de 2022. Em 2026, um novo projeto, o PL 3.771/2026, voltou a propor a instituição do Dia Nacional da Cachaça. A matéria ainda está em tramitação no Senado.
Da bebida colonial ao símbolo brasileiro
A cachaça atravessou os séculos e deixou de ocupar apenas os espaços populares e econômicos da colônia. Atualmente, faz parte da gastronomia, da música, da literatura e de diferentes manifestações da cultura brasileira.
A legislação nacional também estabelece características específicas para que uma bebida possa ser chamada de cachaça. Pela regulamentação em vigor, trata-se da denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica entre 38% e 48% em volume, a 20 °C.
O Brasil continua reunindo desde grandes produtores até pequenos alambiques artesanais. Entre os polos conhecidos está Salinas, em Minas Gerais, cidade cuja produção de cachaça ocupa lugar de destaque na economia e na identidade regional.
Na Paraíba, cidade de Areia é a principal referência e a maior produtora de cachaça da Paraíba, respondendo por mais de 40% de toda a produção do estado
Mais do que uma bebida, a cachaça carrega uma história marcada por disputas econômicas, relações de poder e transformações culturais. E é justamente essa trajetória que transforma o 13 de setembro em uma data com muito mais história para contar do que simplesmente levantar um copo.


