Celebrado em 8 de setembro, o Dia Mundial da Alfabetização chama atenção para um direito considerado fundamental pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): o acesso à leitura e à escrita. A data foi proclamada pela Unesco em 1966, e as comemorações internacionais passaram a ser realizadas anualmente a partir de 1967.
No Brasil, o cenário apresenta avanços recentes. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais caiu para 4,9% em 2025, ante 5,3% em 2024. O índice corresponde a aproximadamente 8,4 milhões de pessoas e foi o primeiro abaixo de 5% desde 2016, quando a taxa era de 6,7%.
A queda, no entanto, não significa que o problema esteja resolvido. A Unesco estima que pelo menos 739 milhões de jovens e adultos no mundo ainda não tinham habilidades básicas de alfabetização em 2024. A organização também aponta que quatro em cada dez crianças não alcançam o nível mínimo de proficiência em leitura.
Crianças alfabetizadas
No ensino fundamental, o Brasil também apresentou avanço. O Indicador Criança Alfabetizada, calculado pelo Inep, mostra que 66% dos estudantes do 2º ano da rede pública atingiram em 2025 o padrão nacional de alfabetização.
O resultado superou a meta nacional de 64% prevista para aquele ano. Para 2026, a meta estabelecida é de 67%, avançando gradualmente até ultrapassar 80% em 2030, quando o país pretende alcançar o patamar definido para garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano.
O indicador considera como alfabetizada, nessa etapa, a criança que consegue ler palavras, frases e pequenos textos, localizar informações explícitas e realizar inferências básicas, além de produzir textos ligados ao cotidiano, ainda que apresente desvios ortográficos.
Por que a alfabetização começa cedo
A formação de leitores não depende apenas do trabalho realizado na escola. O Ministério da Educação destaca que o contato com livros, histórias, brincadeiras e outras experiências culturais desde a primeira infância contribui para criar oportunidades de aprendizagem e desenvolver o interesse pela leitura.
A aproximação entre escola e família também é apontada como importante para que a criança perceba os usos da leitura e da escrita no cotidiano.
Ao mesmo tempo, o processo de alfabetização precisa considerar as características de cada criança e as condições de aprendizagem oferecidas pelas redes de ensino. O acompanhamento por meio de avaliações permite identificar avanços e dificuldades e orientar políticas públicas.
Educação para quem ficou para trás
A alfabetização não termina na infância. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) atende pessoas que não tiveram acesso ou não concluíram a educação básica no período considerado regular.
As regras estabelecem idade mínima de 15 anos para ingresso na EJA do ensino fundamental e de 18 anos para a EJA do ensino médio.
Para ampliar esse atendimento, o Ministério da Educação mantém o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos, que busca reduzir o analfabetismo, elevar a escolaridade e ampliar a oferta de vagas na modalidade.
Uma das ferramentas criadas nesse contexto é o CadEJA, plataforma oficial em que pessoas interessadas em voltar a estudar podem registrar seus dados e receber orientações para encontrar uma escola ou turma disponível.
Uma conquista que ainda exige esforço
Os números mostram uma trajetória de melhora, mas também revelam a dimensão do desafio. O Brasil conseguiu reduzir o analfabetismo para menos de 5%, enquanto o número de crianças que alcançam o padrão nacional de alfabetização avançou de 56% em 2023 para 59% em 2024 e 66% em 2025.
O Dia Mundial da Alfabetização, portanto, não é apenas uma data comemorativa. É também um lembrete de que aprender a ler e escrever amplia a autonomia, facilita o acesso a informações e abre portas para outros direitos.
Em 8 de setembro, o mundo celebra os avanços, mas também volta os olhos para quem ainda não teve a oportunidade de entrar plenamente no universo da leitura e da escrita.


