O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba nas Eleições 2026 colocou Lucas Ribeiro (PP), Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL) frente a frente na noite desta sexta-feira (7). O encontro foi marcado por críticas, cobranças e propostas relacionadas principalmente à Parceria Público-Privada (PPP) da Cagepa, carga tributária, segurança pública e investigações envolvendo programas estaduais.
O debate foi organizado por um pool de veículos formado por FGTV, MRTV, Portal Fonte83 e Blog do Márcio Rangel, com transmissão por diferentes plataformas. A programação havia sido remarcada de 6 para 7 de agosto após pedido conjunto das campanhas, em razão das convenções partidárias. O formato foi dividido em três blocos, com confrontos diretos, discussão de temas e considerações finais.
Lucas Ribeiro parte para o confronto
Candidato à reeleição, Lucas Ribeiro adotou uma postura mais ofensiva durante o encontro e direcionou parte das críticas à administração de Cícero Lucena quando o emedebista esteve à frente da Prefeitura de João Pessoa.
Ribeiro citou paralisações em intervenções urbanas na Capital e questionou a condução de obras como as relacionadas ao Parque da Cidade e a intervenções viárias no bairro do Valentina.
A PPP da Cagepa também esteve entre os principais pontos de confronto. O governador defendeu o modelo e afirmou que a parceria permitirá ampliar a cobertura de esgotamento sanitário para mais de dois milhões de pessoas em 85 municípios paraibanos.
A discussão sobre o saneamento já vinha ocupando espaço central na corrida eleitoral. O governo estadual sustenta que a Cagepa permanece pública e que a parceria com a iniciativa privada tem como objetivo ampliar os investimentos em esgotamento sanitário.
Em outro momento de confronto, Lucas rebateu uma crítica de Efraim Filho relacionada à carga tributária estadual. Em resposta ao adversário, afirmou: “Se para cada mentira tua eu fosse cobrar o imposto, o Estado estava cheio de dinheiro”.
Cícero questiona PPP da Cagepa
Cícero Lucena utilizou sua experiência administrativa para fazer críticas à condução do Governo da Paraíba e concentrou parte dos questionamentos na PPP da Cagepa.
O candidato do MDB questionou a ausência de Campina Grande entre os municípios contemplados pelo projeto e criticou o prazo previsto para os investimentos relacionados ao saneamento.
Durante o debate, Cícero também afirmou que pretende rever o atual contrato da Cagepa caso seja eleito e defendeu a realização de um novo processo com maior transparência.
A posição apresentada no debate está alinhada a críticas que o ex-prefeito já vinha fazendo ao processo. O projeto de parceria para os serviços de saneamento provocou reação de diferentes setores da oposição desde o leilão realizado em maio.
Na área econômica, Cícero voltou a apresentar como referência programas desenvolvidos durante sua administração em João Pessoa, incluindo o “Eu Posso”, defendendo a expansão de iniciativas semelhantes para outras regiões do Estado.
Efraim cobra respostas sobre investigações
Efraim Filho concentrou seus ataques na gestão estadual, com críticas à burocracia, à carga tributária e a investigações envolvendo programas do Governo da Paraíba.
O senador questionou Lucas Ribeiro sobre o programa Prato Cheio e citou o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 11 milhões em bens de investigados. A cobrança já fazia parte do discurso de oposição adotado pelo candidato antes do debate. Em julho, Efraim havia cobrado explicações públicas sobre o programa, a Cagepa e o Hospital Padre Zé.
Ao tratar da economia, Efraim afirmou que o volume de impostos dificulta a atividade de empreendedores paraibanos e defendeu uma política de desburocratização.
” A Paraíba tem um povo empreendedor, mas infelizmente, aqui o paraibano tá dando o suor, tá dando sangue e não sai do canto”, declarou.
Na área da segurança pública, o candidato também colocou a redução da criminalidade entre as prioridades para uma eventual gestão e citou problemas de infraestrutura viária como desafios para o próximo governo.
Cagepa domina parte do debate
A discussão sobre a Cagepa acabou funcionando como um dos principais eixos do confronto entre os três candidatos.
De um lado, Lucas Ribeiro defendeu a PPP como instrumento para ampliar os investimentos em saneamento. Do outro, Cícero Lucena e Efraim Filho questionaram o modelo e defenderam mudanças no processo.
A disputa em torno da companhia estadual já vinha sendo um dos principais temas da eleição. O projeto prevê a transferência à iniciativa privada dos serviços de esgotamento sanitário em 85 municípios, enquanto a Cagepa permanece como empresa pública.
Debate abre nova etapa da campanha
O encontro marcou uma nova etapa da disputa pelo Governo da Paraíba. Com o encerramento das convenções partidárias, os candidatos passam a concentrar a campanha na apresentação de propostas e no confronto direto com os adversários.
Além de Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho, outros nomes foram discutidos durante a organização do calendário eleitoral. A Federação PSOL-Rede, entretanto, decidiu apoiar a candidatura de Lucas Ribeiro e não homologou a candidatura própria de Olímpio Rocha.
O debate desta sexta-feira colocou frente a frente três dos principais nomes da disputa e mostrou que temas como saneamento, impostos, segurança pública, obras e transparência devem permanecer entre os assuntos centrais da campanha ao Governo da Paraíba.


